Tecnologia TRW

Aumento no número de condutores com mais de 60 anos traz desafio à indústria automotiva

Atenta à demanda dessa faixa etária, a indústria investe em equipamentos e sistemas que minimizam dificuldades decorrentes de perda do vigor físico, de reflexos e da visão. Líder global em segurança automotiva, a TRW desenvolve projetos avançados que terão forte impacto na segurança de condutores idosos.

São Paulo, 20 de agosto de 2007 — Com o aumento da expectativa de vida da população mundial, é cada vez maior o número de motoristas com mais de 65 anos em todo o mundo. Nos Estados Unidos, os condutores mais velhos já correspondem ao segmento de maior crescimento da população. No Brasil, segundo o IBGE, a população também envelhece rapidamente: 8,8% dos brasileiros têm mais de 60 anos. Em 2020, um em cada 13 brasileiros será idoso. Em 2050, a população brasileira acima de 65 anos deverá se igualar à de crianças até 14 anos. O mundo na verdade está envelhecendo: em 2050, estima-se que uma em cada cinco pessoas terá 60 anos ou mais e, para muitos, contar com autonomia para dirigir é essencial à qualidade de vida.

Atenta a essa tendência, a indústria automobilística investe para aprimorar cada vez mais equipamentos e sistemas que possam facilitar o uso do veículo pelos condutores com mais de 60 anos e miniminizar dificuldades decorrentes de perda do vigor físico, de reflexos e da visão. Pesquisa patrocinada pela Toyota, por exemplo, revela que embora os automóveis tenham um papel crítico para atender as necessidades de transporte daqueles que têm 65 anos ou mais, a cada ano muitos indivíduos idosos optam por deixar de dirigir, com prejuízos para a sua independência e auto-estima.

Como ajudar a manter a segurança desses condutores nessa fase de suas vidas? Líder global em segurança automotiva, a TRW conta com laboratórios de engenharia instalados em vários continentes que têm a missão de pensar o futuro e desenvolver sistemas que promovam conforto e segurança para o condutor. Muitas dessas novas tecnologias já começam a chegar ao mercado tornando os veículos cada vez mais seguros e confortáveis, especialmente para os condutores acima de 60 anos.

O que dizem os estudos
Pesquisas realizadas nos Estados Unidos indicam que a idade mais avançada prejudica a habilidade de conduzir devido a perdas na percepção visual, na cognição e na funcionalidade psicomotora, mudanças que podem interferir na segurança. Segundo dados de 2002 da National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), órgão do governo americano, motoristas idosos responderam por 12% das fatalidades no trânsito. Embora esse número não seja alto em comparação com outros grupos etários, os estudos mostram que motoristas idosos estão envolvidos em um número mais alto de colisões por distância percorrida do que motoristas jovens ou de meia idade.

A pesquisa patrocinada pela Toyota, realizada no Virginia Polytechnic Institute e na Virginia State University e conduzida por Thurmon Lockhart, Ph.D., e Bunji Atsumi, analisou especificamente como garantir aos displays dos painéis uma interface mais fácil para motoristas idosos com visão reduzida e reflexos mais lentos. A equipe também começou a pesquisar a perda auditiva e suas implicações para o projeto automotivo.

Percepção visual
Um projeto veicular que contemple os idosos deve buscar o entendimento dos processos mentais que governam a forma como essas pessoas processam as informações e como respondem a elas. No momento de projetar um display, por exemplo, é necessário considerar todo o ciclo de processamento de informações, desde a percepção até o processamento para decisão e resposta. A modificação das variáveis do ambiente (ou projeto), certamente não supera por completo os efeitos do envelhecimento,  mas pode reduzir seus efeitos.

Essa é a meta de muitos institutos de pesquisa em transporte e empresas automotivas por todo o mundo e a equipe da TRW, presente em 28 países, também está firmemente comprometida com o projeto de equipamentos e sistemas de tecnologia avançada. A contribuição da indústria já pode ser observada em veículos equipados com muitos sistemas on-board que amplificam a segurança, incluindo sistemas de colisão frontal e traseira e auxílio com visão noturna. Mas para que esses sistemas desempenhem as funções desejadas, o motorista deve entender imediatamente as informações que lhe são apresentadas de forma a poder responder com rapidez. A quantidade de informações que um motorista qualquer pode processar e responder é limitada, ainda mais para o condutor idoso.

A deficiência na percepção visual é de particular interesse e tem sido citada como provável fator de  contribuição do aumento das taxas de colisão entre idosos. Uma vez que a visão é o canal sensorial primário, responsável por até 95% da informação relacionada com o ato de dirigir, ela tem sido o item de declínio perceptivo mais estudado.

Campbell et al. (1993) descobriu que problemas relacionados à visão foram o mais poderoso motivador da decisão de deixar de dirigir. Não é de se surpreender, considerando o fato de que para responder adequadamente a todos os estímulos associados ao ambiente de uma estrada, um motorista tem que primeiro detectar e reconhecer uma larga variedade de objetos e potenciais perigos, tanto de natureza estática (uma placa de sinalização, por exemplo), quanto dinâmica (um pedestre). Assim, a visão é o mais importante sistema sensorial a ser considerado e aquele que deve guiar a maioria das diretrizes de fabricantes de veículos quando estiverem projetando com o motorista idoso em mente.

Distância e tempo são importantes parâmetros que afetam a capacidade de leitura de elementos visuais. A equipe de Lockhart está estudando os desempenhos visuais dinâmicos de atributos internos dos veículos para aprimorar as características dos elementos de comunicação visual. Quanto mais velhas são as pessoas, por exemplo, mais tempo necessitam para a leitura de um display visual. Esse tempo será uma importante consideração ao se elaborar o tempo que as informações são apresentadas ao usuário. A facilitação da leitura inclui o uso de fontes maiores nos displays, em um comprimento de onda mais estreito no azul final do espectro.

Os idosos lêem painéis e indicadores em condições de iluminação que variam de 20 a 100 cd/m2. Os projetistas automotivos devem perceber que aumentar os níveis de iluminação nos displays é somente parte da resposta. Quanto maior o ângulo, melhor a habilidade de leitura no idoso, com uma faixa de ótimo entre 0,3° a 2°. Projetistas automotivos devem perceber que
aumentar o tamanho da letra é apenas parte da resposta.

Além disso, os projetistas precisam considerar a luz ambiente quando estiverem projetando displays, uma vez que o contraste e a legibilidade podem ser afetados por incontroláveis fontes de luz. Para o projeto de veículos, isso pode significar uma mudança na transmissão das propriedades do display para uma visibilidade amplificada.

Informações auditivas para motoristas idosos
O aumento no volume de tráfego associado ao envelhecimento da população e muitos outros fatores, produziram uma necessidade crescente de informação recebida por meio de sinais e alertas auditivos internos dos veículos. O idoso ouve melhor quando sinais usam freqüências abaixo de 2000 Hz. Projetistas de veículos devem testar os projetos atuais para freqüência, intensidade e velocidade em que os sinais são repetidos.

Sinais de alerta auditivos são eficazes somente se forem ouvidos, se forem relevantes para a informação que está sendo comunicada, e se receberem a devida atenção. Em ambientes ruidosos, sinais de alerta requerem níveis maiores de som (relação maior sinal/ruído [S/N]). O nível de pressão sonora de um sinal de alerta depende da natureza e intensidade do ruído. Assim, um sinal de alerta eficaz pode precisar de maior intensidade para acomodar um nível de audição similar em um ambiente ruidoso.

Características temporais também são importantes para representar com eficácia informações de alerta auditivo. À medida que um sinal aumenta em intensidade ou se reduz o tempo entre pulsos (também conhecido como intervalo entre pulsos), os sentimentos do motorista de cuidado e urgência aumentam. Em adição a isso, os componentes de freqüência do som podem também ter um efeito na detecção e percepção de urgência. De acordo com Kryter (1994), a complexidade espectral, duração do som, intensidade crescente e impulsividade sonora têm um impacto na altura de som percebida de um som específico. Dessa forma, no projeto de sinais de alerta, freqüência fundamental, complexidade espectral, duração do som, intensidade de sinal, variação temporal e impulsividade sonora podem ser fatores muito importantes a serem considerados. Mostrou-se que todos esses componentes causam variações na qualidade percebida e na eficácia da mensagem associada ao sinal. O motorista também pode responder com maior rapidez se entender com precisão o nível de urgência / atenção inerente aos sons de alerta.

Considerações para Projetistas
Os profissinais que projetam sistemas de comunicação para motoristas idosos devem considerar os seguintes itens:

Informação visual
- Mostradores maiores
- Displays montados em ângulo
- Letras maiores /gráficos nos displays
- Maior contraste entre letras /gráficos e fundo nos displays
- Comprimentos de onda mais estreitos no fim azul do espectro
- Controle da luz ambiente

Transmitindo informação auditiva
- Limites de freqüência abaixo de 2000 Hz
- Níveis aumentados de som para ajudar a abafar o barulho das pistas
- Um intervalo menor entre sons para indicar maior urgência
- Sons de freqüências mais altas para sugerir mais urgência

Tecnologia TRW

Muitos dos projetos avançados tecnologicamente desenvolvidos pela TRW poderão ter papel importante para a segurança de condutores idosos, à medida que forem se consolidando no mercado automotivo.

Veja a seguir alguns exemplos da tecnologia TRW que podem aumentar a segurança especialmente de condutores idosos.

Radar AC20
Detecta objetos em movimento com um alcance ampliado de até 200 metros, além de identificar os veículos que estão à frente, determinando o tempo de aproximação até eles. Se o sistema detectar que a distância entre os veículos está diminuindo muito depressa, enviará sinais para que o controle ativo retrátil elimine qualquer folga nos cintos de segurança. Isso faz com que o ocupante seja colocado em uma posição melhor antes de um choque potencial, além de alertar o motorista para a iminência de um evento. Se a colisão for evitada, o sistema afrouxará automaticamente os cintos.

Electric Parking Brake
O Electric Parking Brake, freio de estacionamento elétrico EPB, traz como benefícios a liberação de espaço no interior do veículo na região do console; força de aplicação pequena (acionamento de um botão), característica que facilita a operação de parte de condutores idosos; atuação automática quando se remove a chave de ignição e desconexão automática do freio quando se dá a arrancada. O ABS é ativado se o sistema for aplicado com o veículo em movimento.

Controle Eletrônico de Estabilidade (ESC)
Produto inovador que combina as tecnologias do sistema de freio ABS (anti-lock braking system) e de controle de tração com um sistema de controle de estabilidade lateral. O sistema monitora as informações sobre velocidade do veículo, velocidade das rodas, taxa de mudança de direção e aceleração lateral, e os movimentos do motorista (direção, acelerador e pressão do cilindro-mestre) e aplica pró-ativamente os freios para ajudar o motorista a permanecer em controle ao virar o volante em excesso ou menos que o devido. O sistema TRW de ESC é um produto essencial que, quando integrado à direção eletricamente assistida da TRW e com as tecnologias de suspensão ativa, pode levar à melhoria da estabilidade e do controle do veículo, aumentando a segurança do condutor e dos passageiros.

Módulo de Proteção a Capotamento
Se ocorrer um capotamento, a TRW também pode ajudar a manter os ocupantes do veículo seguros com sua inovadora tecnologia de geradores híbridos, usada em airbags laterais de cortina, combinando gás frio e detonadores para inflar e manter inflado o airbag por mais tempo. Tecidos especialmente manufaturados para distribuição do ar permitem que o enchimento dure até seis segundos, ajudando assim a manter a integridade dos ocupantes dentro do veículo durante o evento de capotamento e atenuando ferimentos na cabeça e em outras partes do corpo, especialmente em idosos que já possuem constituição óssea mais frágil.

Direção Elétrica (Electrically Steering EAS-EPS)
Na direção eletricamente assistida, o sistema é acionado eletricamente através de um motor elétrico e redutor. Este sistema pode ser instalado no compartimento dos ocupantes do veículo (atrás do volante de direção) ou acoplado no próprio mecanismo de direção. O sistema elimina a parcela hidráulica utilizada no mecanismo convencional, proporcionando uma direção mais eficiente, totalmente programável no que diz respeito ao esforço, performance, centralização e demais características do sistema de direção. Gera economia de combustível, pois é controlada via software, gerando consumo de energia apenas quando é necessário.

EnTire Solution, LLC
Entre as novas tecnologias desenvolvidas pela companhia na Divisão Eletrônica para o mercado automotivo está o EnTire Solution, LLC — sistema que mede, constantemente, a pressão e a temperatura dos pneus e emite diferentes níveis de alerta no painel para avisar ao motorista, em tempo real, sobre qualquer condição anormal. Se a pressão está baixa, o sistema dá um sinal de luz; se cair mais, a luz começa a piscar; se cair mais ainda, a sirene é acionada. Cada pneu é indicado no painel por uma cor específica. O sistema representa componente importante da segurança do veículo, uma vez que é capaz de alertar o motorista quando o pneu fura e começa a esvaziar durante um percurso. O EnTire Solution já equipa uma linha de pneus Michelin.

Lane Guidance
Nova tecnologia da Divisão Eletrônica da TRW, o Lane Guidance (Guia de Faixa) é um sistema de reconhecimento ótico instalado junto ao espelho retrovisor que acerta o volante e mantém o carro na faixa de pista desenhada na via. Esse recurso pode ajudar especialmente condutores idosos com redução de sua percepção visual. Sensores de chuva que acionam automaticamente os limpadores de pára-brisa, sensores de luz que acionam automaticamente os faróis, acionamento elétrico de freio de estacionamento e detectores de obstáculos que desaceleram automaticamente o veículo diante de um imprevisto formam, ao lado de outros produtos, uma linha completa de tecnologia avançada desenvolvida pela Divisão Eletrônica daTRW.

TRW Automotive  Ltda.
Com faturamento de R$ 1,2 bilhão em 2006, a TRW Automotive Ltda. é uma das empresas líderes do segmento de fornecedores do setor automotivo no Brasil. A companhia está presente na maioria dos veículos brasileiros, e participa do desenvolvimento de avançados projetos da indústria automobilística. Com matriz em Limeira (SP), a TRW emprega cerca de 4.700 pessoas em seis unidades industriais e duas joint ventures. A TRW Automotive Ltda. fornece para os mercados das montadoras, de reposição e de exportação uma linha completa de produtos que inclui sistemas de freio, direção e suspensão, ABS, cintos de segurança, volantes de direção, airbags, válvulas de motores, componentes eletrônicos, sistemas de fixação, módulos de suspensão dianteira e traseira, e serviços e peças de reposição.

TRW Inc.
Com vendas de  US$ 13 bilhões em 2006, a TRW Automotive está entre os principais fornecedores mundiais da indústria automobilística. A companhia tem sede em Livonia, Michigan (EUA) e, por meio de suas subsidiárias, emprega 63 mil pessoas em 28 países, nas mais de 200 fábricas ao redor do mundo.